Plano de Ação

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 41/2024 de 15 de março de 2024 aprova o Plano de Ação para o Biometano 2024 2040 (PAB). O PAB visa a promoção e o desenvolvimento de uma estratégia integrada para a criação e o desenvolvimento sustentável do mercado do biometano em Portugal, até aqui inexistente.

""
Digestor anaeróbio

Enquadramento

Para promover a utilização de gases renováveis durante a transição energética com vista à descarbonização da economia, com especial foco na indústria e no setor dos transportes, enquanto se promove a economia circular e a valorização dos resíduos, Portugal implementou uma reforma legislativa dedicada à promoção da produção e do consumo de biometano sustentável, criando as condições necessárias para o desenvolvimento de uma economia do biometano em Portugal. No âmbito desta reforma, foi incluída como medida a adoção do plano de ação para o biometano 2024-2040, tendo em vista estabelecer a estratégia para o desenvolvimento deste gás renovável no país.

Visão

Promover o mercado do biometano como uma forma sustentável de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, descarbonizar a economia nacional, reduzir as importações de gás natural utilizado primordialmente nos setores industriais e doméstico, incluindo o seu uso na mobilidade, e aproveitando integralmente os recursos endógenos existentes em vários setores da economia nacional.

Os cinco setores baseados na biomassa considerados estratégicos para a criação do mercado do biometano em Portugal são:

  • Resíduos urbanos 
  • Águas residuais
  • Pecuária
  • Agroindústria 
  • Agricultura e Floresta

Objetivos

O PAB 2024-2040 irá propor medidas com vista a assegurar um quadro regulamentar favorável ao investimento, juntamente com um conjunto de políticas públicas que apoiem a criação imediata de um mercado interno de biometano, com incentivos quer do lado da oferta (produção de gás) quer do lado da procura (consumo de gás).

Objetivos gerais:

Capacitar

setores estratégicos para o aproveitamento do potencial de biogás de forma a implementar um mercado interno de biometano;

Consolidar

o desenvolvimento do mercado de biometano nacional enquanto vetor estratégico de descarbonização e de promoção da bioeconomia circular;

Garantir

um setor sustentável do ponto de vista social, económico e ambiental.

Metas

O potencial de implementação do biometano a partir da digestão anaeróbia das matériasprimas residuais dos cinco setores estratégicos para o PAB deverá atingir cerca de 2,7 TWh em 2030, permitindo a substituição de até 9,1 % do consumo de gás natural previsto para o mesmo ano. 

Estima se que em 2040 a digestão anaeróbia permitirá produzir 3,1 TWh, sendo possível, através do uso de novas tecnologias como a gaseificação e o powertomethane, escalar a produção para 5,6 TWh e atingir valores de substituição do gás natural até 18,6 % (estimativa invariável de consumo previsto em 2040 comparado com 2030).

Fases

A estratégia do PAB prevê duas fases, com horizontes temporais distintos: uma primeira fase que tem como objetivo a criação de um mercado do biometano em Portugal, e uma segunda fase que tem como objetivo o reforço e consolidação do mercado do biometano em Portugal. Adicionalmente, apresentase ainda um eixo complementar, que será transversal ao aproveitamento do biometano a nível nacional, que tem por objetivo garantir a sustentabilidade social e ambiental.

  • Fase 1: Criação de um mercado do biometano em Portugal;
  • Fase 2: Reforço e consolidação do mercado do biometano em Portugal; 
  • Eixo transversal: Garantir a sustentabilidade social e ambiental.

Linhas de Ação

O PAB apresenta 20 linhas de ação que têm como objetivo preparar e capacitar Portugal para o aproveitamento do biometano.

No período de 2024 2026 o PAB propõe medidas para iniciar a produção e o fornecimento do gás renovável e desenvolver o mercado através da produção de biogás já existente, principalmente a partir de resíduos urbanos (RU), além do investimento em novas unidades de produção enquadradas nos projetos já aprovados no setor agropecuário e agroindustrial, da criação de um quadro de incentivos para o biometano, da clarificação dos procedimentos de licenciamento e do estudo e gestão da integração do gás renovável na rede a nível regional. A maior parte destas ações deve ser implementada até ao final de 2026, assumindo um carácter prioritário.

No período de 20262040, complementarmente à Fase 1, são apresentadas linhas de ação a médioprazo, centradas na consolidação do mercado e no aumento da escala de produção de biometano. Estas medidas incluem, na generalidade, o reforço do aproveitamento do potencial no setor pecuário (estrumes e chorumes), a avaliação estratégica de tecnologias inovadoras e valorização de resíduos e correntes gasosas associados à produção de biometano, como o digerido e o CO2 biogénico e a consequente criação de novas cadeias de valor, assim como o aumento do financiamento em investigação, desenvolvimento e inovação (I&D&I) nas áreas de investigação associadas ao aproveitamento deste gás alternativo e renovável.

Por fim, o eixo transversal focase na sustentabilidade das ações necessárias ao crescimento do mercado e na participação ativa da sociedade no desenvolvimento do setor.

Fase 1 (início em 2024)

Prioridade 1: Acelerar o desenvolvimento da produção de biometano.

  • L1. Prosseguir um quadro de apoios à produção de biometano.

  • L2. Efetivar a recolha seletiva de biorresíduos e capacitar os sistemas de gestão de resíduos urbanos (SGRU) a maximizar a valorização orgânica por digestão anaeróbia.

  • L3. Fomentar a reconversão de unidades de biogás já existentes para biometano e acelerar a implementação de projetos já aprovados e/ou em desenvolvimento no setor agropecuário e agroindustrial.

  • L4. Estabelecer metas de incorporação do biometano na RPG.

  • L5. Explorar oportunidades para o biometano no setor dos transportes e incentivar o consumo de biometano na indústria, em particular nas indústrias abrangidas pelo Sistema de Gestão dos Consumos Intensivos de Energia (SGCIE).

  • L6. Realizar estudos e desenvolvimentos para a implementação estratégica de projetos e avaliar necessidades de novas ligações à infraestrutura atual para a injeção de biometano a nível regional.

Prioridade 2: Criar um quadro regulatório adequado.

  • L7. Promover a injeção de biometano na RPG.

  • L8. Clarificar o quadro regulamentar e agilizar os processos de licenciamento.

Prioridade 3: Escalar a produção de biometano em Portugal.

  • L9. Incentivar as entidades gestoras do setor das águas residuais a utilizar e maximizar a digestão anaeróbia de lamas.

  • L10. Escalar a valorização orgânica de efluentes pecuários e agroindustriais no processo de produção de biometano.

  • L11. Diversificar a base tecnológica de produção de biometano além da digestão anaeróbia.

Prioridade 4: Desenvolver e criar cadeias de valor a nível regional.

  • L12. Promover a codigestão de matérias-primas complementares, sem comprometer benefícios ambientais.

  • L13. Apoiar financeiramente a criação de comunidades de biometano ou pipelines virtuais para a produção de biometano e sua injeção na rede de gás.

  • L14. Estimular a criação de soluções de recolha centralizadas a nível regional e associadas a comunidades de biometano ou pipelines virtuais para garantir acesso a matérias-primas de qualidade.

  • L15. Implementar uma estratégia para o digerido enquanto matéria fertilizante de modo a permitir o crescimento do mercado de biometano.

Prioridade 5: Reforçar e promover a investigação e a inovação.

  • L16. Promover a inovação na cadeia de valor, incluindo a valorização do digestato e a valorização do CO₂, resultando de processos de purificação do biogás e o uso de tecnologias alternativas de produção de biometano em diferentes setores de atividade.

  • L17. Reforçar a avaliação estratégica para a concretização da produção de biometano e utilização do CO₂ biogénico por tecnologias inovadoras identificadas como de elevado potencial.

Prioridade 6: Assegurar a sustentabilidade da fileira do biometano.

  • L18. Garantir uma utilização sustentável do potencial de biometano em Portugal.

Prioridade 7: Estimular e reforçar sinergias entre os atores da cadeia de valor.

  • L19. Aumentar a consciencialização e capacitar a indústria nacional para o aproveitamento do potencial do biometano nos principais setores de interesse, utilizando os roteiros, clusters e sistemas já existentes.

  • L20. Integrar a sociedade civil e os órgãos de administração pública regionais e locais no desenvolvimento do setor e promover um envolvimento participativo de todos os atores na cadeia de valor.

Grupo de Acompanhamento e Coordenação

Nos termos do Despacho nº 1604/2025 de 4 de fevereiro, o Grupo de Acompanhamento e Coordenação (GAC) do PAB foi criado com o objetivo de acompanhar e coordenar a sua implementação, nomeadamente:

  1. Promover a concretização das linhas de ação previstas no plano assegurando a articulação institucional e a monitorização da sua evolução;
  2. Identificar os instrumentos regulamentares e económico-financeiros de apoio à produção de biometano;
  3. Avaliar as necessidades infraestruturais, em especial as ligações à rede de transporte de gás para injeção de biometano;
  4. Definir metas especificas, incluindo de incorporação de biometano na rede pública de gás (RPG);
  5. Avaliar as oportunidades de uso de biometano nos setores de transporte e industrial, com foco nas indústrias incluídas no Sistema de Gestão dos Consumos Intensivos de Energia (SGCIE).
  6. Propor medidas e ações que contribuam para os objetivos de desenvolver o mercado do biometano em Portugal.

O GAC do PAB é composto por um representante das seguintes instituições/ gabinetes:

LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia, I. P.

Gabinete do Ministro da Economia

Gabinete da Ministra do Ambiente e Energia

Gabinete do Ministro da Agricultura e Pescas

Gabinete do Secretário de Estado da Energia

Gabinete do Secretário de Estado do Ambiente

Gabinete do Secretário de Estado da Agricultura

Gabinete do Secretário de Estado das Florestas

DGEG – Direção-Geral de Energia e Geologia

ENSE – Entidade Nacional para o Setor Energético, E. P. E.

ADENE – Agência para a Energia

APA – Agência Portuguesa do Ambiente, I. P.

Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR)

Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV)

Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP)

Grupo Águas de Portugal (AdP)

Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)

Environment Global Facilities (EGF)

Confederação Empresarial de Portugal (CIP)

Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP)

Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (CONFAGRI)

Associação para a Gestão de Resíduos (ESGRA)

Operador da rede de transporte de gás (REN)

Associações de defesa do ambiente (Coligação C7)

Associação Portuguesa de Produtores de Bioenergia (APPB)

Associação Bioenergia Avançada (ABA)

O GAC-PAB dispõe de um núcleo de coordenação responsável pela direção técnica dos trabalhos composto por LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia, (que coordena), DGEG – Direção Geral de Energia e Geologia, APA – Agência Portugesa do Ambiente, a que mais tarde se juntou a DGADR – Direção Geral da Agricultura e Desenvolvimento Rural e DGAV – Direção Geral de Agricultura e Veterinária.